A maioria das empresas internacionais chega ao SEO japonês com um programa já funcionando em outro lugar. Há um calendário de conteúdo, um backlog técnico, uma ferramenta de acompanhamento de posições, alguém que sabe o que é uma tag canonical. O instinto é tratar o Japão como mais uma versão local dentro de um sistema que já existe.

Esse instinto leva você até mais ou menos um terço do caminho. A mecânica do SEO é a mesma em toda parte — páginas rastreáveis, conteúdo relevante, sinais críveis. O que muda no Japão são todos os insumos sobre os quais essa mecânica opera: as palavras que as pessoas digitam, o que esperam encontrar, quais sites já ocupam os resultados e o que faz uma empresa parecer legítima.

Este guia percorre as partes que realmente diferem, na ordem em que você vai se deparar com elas.

O cenário de busca é mais estreito do que você pensa — e mais amplo

O Google é o buscador geral dominante no Japão, e o Yahoo! Japan — ainda um portal muito usado — funciona há muitos anos com a tecnologia de busca do Google. Na prática, isso significa que um único conjunto de trabalho de ranqueamento cobre a grande maioria das buscas na web, o que é mais simples do que a maioria das pessoas espera antes de olhar com atenção.

A complicação está em outro lugar. Uma parcela significativa dos resultados de busca comerciais no Japão é ocupada não por sites de fornecedores, mas por mídias de comparação e agregadores — os 比較サイト (hikaku saito, “sites de comparação”) e plataformas de avaliação específicas de cada setor. Em muitas categorias de software B2B, a primeira tela de resultados é uma lista ranqueada das “15 melhores ferramentas para X”, publicada por uma empresa de mídia — e não o site de alguma das próprias ferramentas.

A descoberta também acontece fora da busca na web, de maneiras que a moldam: o X (Twitter) tem uma base de usuários japoneses excepcionalmente engajada, o LINE é o principal canal de mensagens e o YouTube concentra boa parte da pesquisa sobre categorias. Esses não são lugares onde você “faz SEO”, mas influenciam a demanda de busca pela marca que o seu programa orgânico acaba colhendo.

A consequência prática: antes de planejar qualquer página, veja o que ranqueia hoje para a consulta que você quer. Se a resposta for “seis artigos de comparação e um verbete da Wikipédia”, o seu caminho até esse tráfego pode ser entrar nos sites de comparação, e não superá-los.

O japonês não é um idioma que se pesquisa por meio de tradução

Este é o erro mais caro de todos e merece um tratamento próprio — escrevemos um em Por que traduzir o seu site não é fazer SEO japonês. A versão curta:

O japonês usa três sistemas de escrita ao mesmo tempo. Kanji (漢字), hiragana (ひらがな) e katakana (カタカナ) aparecem todos no texto corrido comum, e o mesmo conceito pode ser buscado em vários deles. “Segurança” pode ser buscada como セキュリティ (sekyuriti, o empréstimo do inglês em katakana) ou 安全性 (anzensei, o composto nativo), e essas são consultas diferentes, com intenções diferentes por trás.

Não há espaços entre as palavras. Os buscadores segmentam o texto japonês por algoritmo, o que significa que as fronteiras que você supõe existir podem não ser as fronteiras que o buscador encontra. Termos compostos se comportam de forma diferente do que um profissional de marketing acostumado ao inglês espera.

E os empréstimos linguísticos não são estáveis. Alguns termos em inglês são usados sem tradução, em katakana, em todo um setor; outros foram substituídos por uma criação nativa anos atrás; outros são usados pelos fornecedores, mas nunca pelos compradores. Não dá para deduzir qual é qual só pelo raciocínio. É preciso olhar os dados de demanda e o que ranqueia.

Portanto: a pesquisa de palavras-chave para o Japão começa em japonês, a partir de fontes japonesas — o Planejador de palavras-chave configurado para japonês e Japão, o preenchimento automático e as pesquisas relacionadas do Google, as perguntas que as pessoas realmente fazem em plataformas de perguntas e respostas, a linguagem usada nas suas próprias conversas de vendas e suporte em japonês e o vocabulário das páginas que já ranqueiam. Listas de palavras-chave traduzidas são, no máximo, uma hipótese de trabalho.

Conteúdo: as expectativas são diferentes, não só o idioma

Compradores B2B japoneses tendem a ler mais antes de falar com alguém e tendem a esperar mais detalhes na página. Uma proposta de valor curta e incisiva, que funciona nos EUA, muitas vezes soa rasa e um tanto evasiva no Japão.

Coisas que os sites B2B japoneses fazem como rotina e que sites estrangeiros frequentemente omitem:

  • 会社概要 (kaisha gaiyō, visão geral da empresa) — uma página com a razão social, o endereço, o diretor representante, a data de fundação e o capital. É uma verificação de credibilidade de rotina.
  • 導入事例 (dōnyū jirei, estudos de caso de implementação) — nominais, específicos, com a situação do cliente e o que mudou. Estudos anônimos do tipo “um grande fabricante” têm muito menos peso.
  • 資料ダウンロード (shiryō daunrōdo, download de materiais) — um PDF detalhado explicando o produto é uma etapa de conversão normal e esperada, muitas vezes anterior a um pedido de demonstração.
  • Clareza sobre comparação e preços. “Fale conosco para saber o preço” é comum, mas páginas que explicam como os preços são estruturados, mesmo sem números, se saem visivelmente melhor em reter a atenção.

O tom também importa. O japonês de negócios usa o 丁寧語 (teineigo, forma polida) como padrão; a voz informal e centrada na personalidade que muitas marcas SaaS ocidentais usam não se transfere. Isso não é algo que um tradutor corrige depois — é uma diretriz que você dá a um redator japonês antes de ele começar.

A nossa visão sobre como isso deve ser produzido está na página de SEO de conteúdo em japonês: pesquisar em japonês, fazer o briefing em japonês, escrever em japonês e usar o material de origem em inglês como insumo, e não como roteiro.

Técnico: quase tudo familiar, com algumas armadilhas específicas do Japão

Se o seu SEO técnico está em boa forma globalmente, a maior parte continua valendo. As questões específicas do Japão que surgem repetidamente:

Hreflang e estrutura de URLs. Tornar a versão em japonês encontrável pelos buscadores, com canonical autorreferente e corretamente pareada com o restante do site é a base sobre a qual todo o resto se apoia. É trabalhoso e frequentemente está errado — veja Hreflang para o Japão: como acertar a configuração técnica.

Redirecionamentos automáticos por IP. Mandar todo visitante com IP japonês para /ja/ quebra mais do que conserta: o Googlebot rastreia predominantemente a partir de IPs dos EUA, e usuários que querem a página em inglês não conseguem acessá-la. Ofereça uma sugestão que possa ser dispensada, em vez de um redirecionamento forçado.

Codificação e caracteres de largura completa/meia largura. UTF-8 em tudo, e seja consistente quanto às formas de largura completa (123, ABC) e de meia largura (123, ABC) em títulos e cabeçalhos. O uso misturado parece descuidado aos olhos de um leitor japonês.

Renderização. Conteúdo em japonês injetado no lado do cliente é exatamente tão arriscado quanto conteúdo em inglês injetado no lado do cliente, mas a falha é mais difícil de perceber quando ninguém na equipe lê o resultado renderizado.

Search Console. Verifique a propriedade e depois filtre por país e pelo idioma da consulta, em vez de confiar em médias do site inteiro. Uma seção japonesa dentro de um grande site global fica invisível nos dados agregados.

Autoridade: conquistada aos poucos, por meio de fontes japonesas reconhecíveis

Os links que o seu domínio global já tem de fato são aproveitados — esse é um dos argumentos genuínos a favor de um subdiretório, que abordamos em Você precisa de um domínio .co.jp para ranquear no Japão?. Mas referências em japonês, hospedadas no Japão, fazem um trabalho que um perfil de backlinks dos EUA não consegue: elas estabelecem que você existe aqui.

As fontes realistas são distribuição de press releases, cobertura na mídia setorial e especializada japonesa, filiação a associações do setor, sites de parceiros e distribuidores, listagens de eventos e conferências e a entrada nos sites de comparação da categoria mencionados anteriormente. A maior parte disso é RP e desenvolvimento de negócios que gera valor de SEO, não link building no sentido transacional. Esquemas de links pagos existem no Japão como em qualquer lugar, e trazem o mesmo risco que em qualquer lugar.

Mensuração: defina o prazo antes de definir a meta

Há duas coisas que vale alinhar internamente antes de o trabalho começar.

Primeiro, o que você vai medir. Sessões orgânicas em japonês vindas de buscas sem o nome da marca, contatos qualificados vindos do Japão e visibilidade para um conjunto definido de palavras-chave são todos indicadores razoáveis. O tráfego orgânico total da seção japonesa não é, porque ele oscila com o reconhecimento da marca e com a atividade de campanhas, que nada têm a ver com SEO.

Segundo, quanto tempo você vai esperar. Não vamos lhe dar um número, porque a resposta honesta depende de quanta autoridade o domínio já tem, de a seção japonesa ser nova ou uma tradução existente sendo reconstruída e de quão competitiva é a categoria. Um domínio global bem estabelecido que adiciona uma seção japonesa bem pesquisada avança mais rápido do que um domínio novo partindo do zero — às vezes, consideravelmente mais rápido. Quem lhe passa um prazo fixo sem fazer essas perguntas está chutando.

Uma ordem sensata de execução

Se você está começando, esta sequência evita a maior parte do retrabalho:

  1. Corrija a base técnica — estrutura de URLs, hreflang, indexabilidade — antes de publicar qualquer coisa em volume.
  2. Faça uma pesquisa de palavras-chave japonesa de verdade e mapeie-a por intenção, observando o que ranqueia hoje.
  3. Construa primeiro as páginas que atendem à intenção comercial: as páginas de produto ou serviço que as pessoas buscam pelo nome, não o blog.
  4. Adicione as páginas de credibilidade que os compradores japoneses procuram.
  5. Só então comece o conteúdo editorial, com base no que as quatro primeiras etapas lhe ensinaram.
  6. Trabalhe a autoridade em japonês continuamente, em paralelo, porque esse é o insumo mais lento.

Empresas que seguem a ordem inversa — blog primeiro, técnico por último — geralmente acabam republicando o blog.

Se quiser conversar sobre em que ponto dessa lista o seu site está hoje, entre em contato. Se você está numa fase anterior e ainda decidindo se o Japão é o mercado certo para investir, a página de entrada no mercado japonês trata das perguntas que vale responder primeiro.